arqui]vos de antropo[logia

[D 5, –]

[D 5, 1]

O capítulo referente a Guys em L’Art Romantique, sobre os dândis: “Todos são representantes … dessa necessidade, hoje muito rara, de combater e destruir a trivialidade… 0 dandismo é o último brilho de heroísmo na decadência; e o tipo do dândi, encontrado pelo viajante na América do Norte, não enfraquece em nada essa idéia, porque nada nos impede de supor que as tribos que chamamos de selvagens sejam remanescentes de grandes civilizações desaparecidas… Seria preciso dizer que Monsieur G., quando desenha um de seus dândis no papel, confere-lhe sempre seu caráter histórico, até mesmo lendário, ousaria dizer, se não fosse questão do tempo presente e de coisas consideradas geralmente como brincadeira?” Baudelaire, L’Art Romantique (ed. Hachette, tomo III), Paris, pp. 94-95.

nota[s] do[s] editor[es]
[R.T.] Baudelaire, OC II, pp. 711-712.


[D 5, 2]

Baudelaire define assim a impressão que o dândi perfeito deve despertar: “Eis talvez um homem rico, mais seguramente um Hércules sem emprego.” Baudelaire, L’Art Romantique, Paris, p. 96.

nota[s] do[s] editor[es]
[R.T.] Baudelaire, OC II, p. 712.


[D 5, 3]

A multidão aparece como supremo remédio contra o tédio no ensaio sobre Guys: “‘Todo homem’, disse certa vez Monsieur G., numa dessas conversas que ele ilumina com um olhar intenso e com um gesto evocativo, ‘todo homem … que se entedia no meio da multidão é um tolo! Um tolo! E eu o desprezo!'” Baudelaire, L’Art Romantique, p. 65.

nota[s] do[s] editor[es]
[R.T.] Baudelaire, OC II, p. 692.


[D 5, 4]

De todos os objetos cuja expressão lírica Baudelaire foi o primeiro a revelar, um deveria ser enfatizado: o mau tempo.


[D 5, 5]

A conhecida anedota sobre o artista Deburau, acometido de tédio, atribuída a um certo “Carlin”, constitui a peça fundamental dos versos do “Eloge de l’ennui” (“Elogio do tédio”), de Charles Boissière, da Sociedade Filotécnica, Paris, 1860. — Carlin é um nome de cachorro, derivado do nome de um ator italiano que representava o papel de Arlequim.


[D 5, 6]

“A monotonia se nutre de novo!” Jean Vaudal, Le Tableau Noir, cit. em E. Jaloux, “L’esprit des livres”, Nouvelles Littéraires, 20 de novembro de 1937.


[D 5, 7]

Contrapartida da visão de mundo de Blanqui: o universo é um lugar de catástrofes permanentes.

nota[s] do[s] editor[es]
[J.L.; w.b.] Cf. as teses de W. Benjamin “Sobre o Conceito de História”, IX (GS I, 697). Na tradução brasileira: “Onde uma cadeia de eventos aparece diante de nós, ele [sc. o anjo da história] enxerga uma única catástrofe, que sem cessar amontoa escombros sobre escombros e os arremessa a seus pés.” Teses, p. 87.